• Flávia Esper

A carta do Pendurado e a liberdade do olhar


Como anda seu olhar? Se você só tem visto horizontes assustadores, nuvens por todos os lados e becos sem saída, talvez seja a hora de pensar sobre isso.

Há uma carta no Tarô, chamada O Enforcado ou O Pendurado, que mostra um homem preso, pendurado pelo pé, de cabeça para baixo. Essa carta pode ter vários significados, dependendo da posição em que saia, mas uma das leituras é a de um momento em que a pessoa se encontra sem saída, sem poder agir para mudar uma situação, impotente, presa. Nenhuma tentativa de mudança ou ação no mundo parece dar resultado.

Muitas pessoas, nessa situação, se entregam à depressão ou à aflição de não se conformarem com não poderem agir. Outras gastam sua energia tentando ir contra o fluxo, mas sentem que todos os seus esforços são infrutíferos.

Acontece que toda carta tem um segredo, uma chave, uma saída. Não é à toa que o Enforcado(ou Pendurado) está de cabeça para baixo. Quando estamos impossibilitados de agir ou presos a uma situação, a única saída é enxergarmos o contexto de outra forma, mudarmos o ponto de vista, reeditarmos o olhar. Há momentos em que não podemos mudar as circunstâncias e condições externas. E, nesses momentos, ou ficamos presos, enredados no inconformismo diante daquilo com que não concordamos, ou mudamos a única coisa que podemos: nosso olhar e nossa atitude em relação à situação.

Se conseguimos mudar o olhar, mudamos toda a forma de encarar a situação e de lidar com ela. Fazemos as pazes com o contexto e modificamos a única coisa que sempre podemos modificar: nós mesmos, a forma como enxergamos e vivenciamos o que nos cerca.

Na visão das Constelações Familiares, aprendemos que o sofrimento é fruto de uma não concordância. Ou seja, sofremos quando não conseguimos concordar com algo em nós, no outro ou no mundo. Ficamos presos a essa sensação de não concordar com algo e travamos o fluxo da vida. Sofremos, brigando com algo que simplesmente é e que continuará sendo como é. O problema não está no que é, mas na nossa discordância, em empacarmos, na birra com algo com que não concordamos.

Essa "birra" nos prejudica, nos enreda, nos deprime. É ela que nos pega pelo pé e nos impede de caminhar. Ela não muda o que não pode ser mudado. Se, diante desses momentos em que somos impotentes para mudar alguma situação, nos conectamos com a birra e com o inconformismo, o sofrimento é certo. A paralisia e a perda de energia também.

Mas, se, ao contrário, utilizarmos a situação para mudarmos internamente, revendo nosso olhar e postura diante do que não pode ser mudado, se concordamos com as coisas como elas são e passamos a mudar apenas o que pode ser mudado - nós mesmos -, a sensação de prisão desaparece. Guardamos nossa energia para mudar o que realmente importa nesses momentos: nosso interior. Só assim é possível sair do sofrimento e evoluir.

A saída do Enforcado é acessar a flexibilidade e a criatividade da criança e do artista, a liberdade e a criatividade na forma de olhar a realidade. Uma mesma paisagem pode ser fotografada por inúmeras pessoas. No entanto, algumas fotos serão consideradas verdadeiras obras de arte, inovadoras, expressivas, com um olhar único, que rompe com o que todos os outros veem. Esse olhar que consegue enxergar novos ângulos, que descobre a beleza ou o prazer em imagens que parecem rígidas e cinzentas é a verdadeira libertação do Enforcado, que usa o fato de estar preso peo pé, de cabeça para baixo, para aprender a ver as coisas de um novo ângulo.

Que tal, diante de uma situação que pareça rígida e sufocante, buscar o olhar criativo do artista, da sua criança interna? Que tal gastar menos energia tentando lutar contra o que é inevitável? Que tal reinventar seu olhar?

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