• Flávia Esper

A primeira caixa


Certa vez, conversando com uma amiga, falei que havia resolvido me mudar de onde estava. Era um desejo que eu mantinha há tempos, mas tinha decidido, naquela semana, que estava pronta para torná-lo realidade. O problema é que eu não sabia para onde queria ir. Só estava claro que não queria continuar no lugar em que eu morava. Foi então que ela me contou sobre a primeira caixa.

Disse que sua mãe, quando decidiu se mudar, não tinha ainda para onde ir nem como fazer a transição. Mesmo assim, arrumou uma caixa, a primeira caixa da mudança, organizando, dentro dela, objetos que queria levar. E foi assim que, aos poucos, mantendo - clara e concretamente - o desejo de continuar o processo, tudo foi acontecendo para que a mudança se realizasse.

Montar a “primeira caixa” é um passo importante em qualquer decisão. Muitas vezes, dizemos, durante anos, que queremos mudar algo ou realizar um sonho, mas não fazemos nada realmente concreto nessa direção. Talvez por estarmos esperando o momento certo, a quantia exata, a companhia precisa, um preparo maior, mais tempo, uma resposta de emprego, o lugar ideal. Com isso, nosso desejo fica no plano das ideias, das palavras, do sonho.

É preciso tornar o desejo concreto. Tomá-lo nas mãos, palpável. Dar a ele lugar de existir, realidade. Não tem problema se sua primeira caixa for pequena. Ela pode ser apenas enviar um email, jogar algo fora, inscrever-se em um curso. Não importa. Importa que ela exista.

Algumas pessoas, esperando o momento e as condições perfeitas, deixam de se realizar. Manter-se na espera impede os sonhos de se tornarem concretos, porque o momento perfeito e as condições ideais nunca realmente chegarão. Melhor dizendo, o momento perfeito é exatamente aquele em que se decide fazer algo e se dá início ao processo. Não há nada mais maravilhoso que o primeiro passo.

Comece de onde está, com o que tem no momento. Se, mais para frente, você tiver mais recursos, novas ideias ou melhores condições, ótimo. Você poderá melhorar o que já começou. Afinal, só melhoramos e nos tornamos mais hábeis através da experiência. Todo planejamento do mundo não vale mais que a vivência de alguém que já andou pelos caminhos.

Nessas horas em que a hesitação e a espera surgem, sempre me lembro do poema Mude, de Edson Marques. Ele começa assim: “Mude / Mas comece devagar, / porque a direção é mais importante / que a velocidade.”

Às vezes, queremos tanto andar a passos largos, que nos esquecemos de que passos muito grandes nos desequilibram. Quando eu era pequena, minha avó dizia que eu queria dar um passo maior que as pernas. E isso raramente dava certo. Conheço pessoas que iniciam as mudanças com uma energia imensa, mas logo se cansam, desistem, ficam esgotadas ou frustradas. Deram um passo grande demais e não conseguiram manter o ritmo. Passos pequenos e constantes nos levam com segurança aonde queremos chegar.

Que tal olhar para o que você mais deseja e tomar, agora mesmo, uma pequena atitude a respeito? Cada passo, por menor que seja, nos deixa mais perto do que queremos.

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