• Flávia Esper

Sobre escolhas e decisões



Diante de tudo que acontece no mundo, temos sempre a escolha de nos posicionarmos ou de evitarmos assumir uma posição. Temos a escolha de ficar em silêncio ou de defender um ponto de vista. Temos a escolha de buscar uma forma de atuarmos para promovermos nós mesmos a mudança ou de acusar o outro, o governo, a sociedade.

É preciso ter em mente que há sempre uma escolha feita. Mesmo quando optamos por não decidir, esta é uma decisão. Quando optamos por não assumir uma posição esta também é uma posição. Silenciar e abster-se, muitas vezes, são ações que nos tornam coniventes com o que é dito e feito.

Silenciar diante de um crime nos torna, de certo modo, coniventes com ele. Claro que não é necessário arriscar a própria vida para defender alguém, embora esta também seja uma opção. Mas há modos de pedir ajuda, de tentar intervir ou mesmo de denunciar anonimamente uma situação.

Se não damos voz à bondade, à união, ao socorro, permitimos que a maldade, a desunião e a agressão se fortaleçam. Se nos calamos diante de piadas ofensivas, por exemplo, legitimamos, de certa forma, que continuem sendo ditas. Não há a opção de não escolher, de não se envolver, de não decidir. Escolher não agir já é assumir uma escolha. É compactuar com o que é para que tudo continue como está.

Que possamos, no nosso dia a dia, agir de forma a mudar em nós o que queremos mudar no mundo. Que possamos compactuar cada vez menos com o preconceito, a agressividade, a cultura do estupro, a violência.

Como disse Martin Luther King, "o que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons." Se calamos nossa voz, damos lugar a quem não se cala. Se não ocupamos o mundo com o bem e o amor, damos cada vez mais espaço para o medo e a agressão.

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