• Flávia Esper

Você tem raiva de si mesmo(a)?


Você tem raiva, desprezo, nojo ou vergonha de alguma parte sua? Há coisas em você que não vê a hora de modificar? Faz tempo que tenta agir de outra forma, mas se irrita ou mesmo se xinga quando se percebe repetindo os mesmos erros?

Está na hora de ser amoroso(a) com você.

Só conseguimos mudar algo em nós depois de abraçarmos isso, de nos acolhermos nas nossas faltas ou no que julgamos ruim e defeituoso. Se não nos tratamos com afeto, se nos repreendemos severamente por nossas quedas ou tropeços, se chamamos a nós mesmos de idiotas, estúpidos e burros quando erramos ou recaímos em um padrão, vai ser bem difícil crescer e mudar.

Uma criança aprende movida por afeto, confiança, curiosidade. É importante que haja um ambiente amoroso e seguro para que possa confiar em si mesma e arriscar os primeiros ou novos passos. Poder se sentir segura e acolhida caso erre, sabendo que terá tantas chances quantas precisar é maravilhoso. Essa é a melhor forma de nos tornarmos as melhores versões de nós mesmos: tendo espaço, afeto, acolhimento e respeito ao tempo para aprendermos.

Se, por algum motivo, não tivemos esse ambiente seguro e construtivo na infância, se fomos tratados com deboche, rigidez ou crueldade, provavelmente acabamos nos tornando crueis conosco. Mas, agindo assim, cada vez ficamos mais inseguros, com baixa autoestima e sem capacidade de mudar. A criança que mora dentro de nós fica acuada, culpada, se sentindo mal e com medo de tentar e falhar novamente. Sente-se incompetente, falha e incapaz.

Pense... Quando uma criança que está aprendendo a andar ou dançar cai, você a trata com amor ou rispidez? As palavras que lhe diz são de incentivo ou você a chama de burra e incompetente por não ter conseguido fazer o que queria?

Então por que você se trata e trata a sua criança interna diferente?

O maior aprendizado é o amor, mas a maioria das pessoas esquece de ser amorosa consigo. Enquanto não nos acolhemos e não somos amorosos conosco, travamos, não conseguimos mudar, porque essa mudança é uma tentativa de rejeitar, de excluir uma parte nossa, não de integrá-la de forma mais produtiva. Quando rejeitamos uma parte nossa, rejeitamos também toda a força que essa parte poderia gerar se fosse equilibrada e tratada com amor.

Se encaramos a mudança como cortar partes nossas ou brigar com elas como se quiséssemos vencê-las, estamos fadados ao fracasso. Se excluímos partes nossas, ficamos seres incompletos. Se lutamos contra nós mesmos, não poderemos vencer.

Acolha-se. Concorde com quem você é em todas as suas formas. Mesmo no que considera defeitos. Eles fazem parte de você, tem algo a lhe ensinar e precisam ser escutados, se quiser poder se despedir deles. Eles não irão embora enquanto você não escutar sua mensagem e lhes der o devido valor. Nâo é passar a mão sobre a cabeça. É ser consciente de si, amar-se e entender que tudo tem um sentido e que, enquanto negarmos ou rejeitarmos algo em nós, nossa criança interna não se sentirá segura para crescer. E não poderemos, verdadeiramente, mudar.

Como disse Carl Rogers, "não podemos mudar, não podemos nos afastar do que somos, enquanto não aceitarmos profundamente o que somos." Aos poucos, você irá perceber que ser amoroso(a) consigo e acolher suas quedas, por incrível que pareça, faz com que você consiga mudar mais rápido.

#Ser #amorosidade #integração

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